fevereiro 12, 2017

tomorrow never comes (III)



Tentava escrever

o esboço - vestígio do corpo,
a macia semente do vento

a traço de giz

da cor do barro, da cor da nuvem carvão;
acontecia o espinho, o passo inquieto. Era o corpo
poema lume, rosa cinza, o Norte rasurado
no fogo lento, na voz

na pedra rubra do tempo. Era a rude letra
tingida

dentro do peito, o mudo poro da pele,
refeito

linha guia, membrana e mapa

vela, resto de estrela, inquieta
na mão fechada

onde se guarda a cicatriz. Era o tosco plano do dia
o sopro morno do corpo, o traço

giz. Era lento o fogo na voz, a palavra



Fevereiro 2017.12
(Hilary – Circuses and Bread.1986)

Sem comentários: