fevereiro 27, 2015

arde na casa o pássaro preciso



é cedo – ou não,
não é cedo

arde na casa
um fogo fátuo, um pássaro preciso
e diurno – deixa-o

fica sereno e escuta, deixa-o
riscar
nas paredes, nas roupas baças, nos livros
esse corpo áspero e luzeiro, esse lume
passante

que arde na casa
devagar.  Esse pássaro é concreto
e preciso, deixa-o

[ao certo, não sei quantas as sombras
nem quantas as casas em chamas, desertas
que se escondem entre os espinhos
da mão. É em vão
se] ao certo

não sei se é cedo
ou não. É luz, é fóssil
é corpo arremessado?
Existe? Que importa? – Onde passa

arde decisivo no tempo da casa
no evo brilho diurno, no fogo devagar
o pássaro preciso,

deixa-o 



Fevereiro 2015, 27

fevereiro 05, 2015

Geada e Lume



Quase esquecia
dizer

a manhã
em tacto pano da voz
a geada, a pele macia do tempo
o lume por acender,

o corpo desarrumado
na corrente do ar
o pássaro que se adianta
ao peito em urgência.

Queria dizer,
dizia

aos que dormem por debaixo das nuvens
que não,
este vento não adormece como sopro no coração
ou tinta escrita.

Queria dizer,
escrevia.

Fevereiro 2015, 04

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