abril 21, 2015

variação nº5 (das Cartas ao Poeta)




Havia dentro da tua mão uma página que não arde

e nos teus livros ruas claras, cidades inteiras dum astro apenas. Eram corpos diurnos de pedras cujo nome não se diz ou não se sabe,

e no entanto, nelas, nas cidades do corpo, nas pequenas fracções de luz, nos detalhes da tinta do verso,

o pó regressará ao corpo, ao pó, e a cinza à manhã clara que nos deixaste construída na raiz, no sedimento da palavra; tudo permanecerá intacto

apesar da noite ou do dia, apesar da linha das fronteiras no mapa que não arde, apesar da mão onde repousa filtrada, a poeira, a forma, o pigmento vermelho fogo

o teu poema.   


Outubro 2013, 11
(revisto 2015)


1 comentário:

Luis Antônio Gomes disse...

Magnífico...de onde vem o poema, em cada cabeça de poeta existe uma origem da escritura.
abraço,
Luis