abril 07, 2015

se tardio

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se tardio o fugir da memória,
como  riscar o último fósforo na escuridão
e nele a pedra?

e se por vezes enquanto arde o silêncio, o ténue fôlego da pedra
alojada no corpo, o lenho que não se fez relíquia, e se arde

sustido na respiração como limiar
como espinho, como sopro,  como riscar o fogo
no sono, e no rebento a escuridão?

dizemos:
é tardia a haste da asa, o limiar da asa no canto
do chão. é tardio o silêncio recolhido da enxertia
precária do voo, do vento. é tardia a criança, o hóspede
que brinda em silêncio aos fogos da casa. minto,

a memória não.



Março 2014, 26


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1 comentário:

Javier disse...

Gostei muito. Geralmente nao me é fácil gostar de um poema, mas este entrou só. Gostei muito do segundo verso, e a frase "e se por vezes enquanto arde o silêncio".

Saudação.