março 22, 2015

Remendo Finito (reeditado)



«(…) esse além é um aquém inacessível
 é o teu lugar onde não estás
 é a proximidade das coisas que te fogem.»

António Ramos Rosa

Fosse ínfimo o verbo
um antes, um depois, um além
de mim

fosse feito de corpo definido
o exacto lugar
onde a mão se faz cinco tragos de cinza
arcos trigos,
tão absurdos e finitos

e traria no corpo
os remendos dos dias, as terras  
por arder

prometidas por lugar
ao rosa cinza, ao baço coração 
[aí dormirás a vida num sono só,
como a sílaba
na palavra]

e traria,
no corpo

mais que dias quebradiços
mais que pontos cardeais por consertar
em vão
no corpo,

e traria
o cada remendo do verbo
como mais um dia adiado.


Outubro 2012, 16

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3 comentários:

Graça Pires disse...

Sempre que passo por aqui gosto de o ler. Os seus poemas têm uma estética que me toca muito.
Abraço.

Maria Eu disse...

Belos.

Boa noite. :)

Luis Antônio Gomes disse...

Que precisão da linguagem, ter o verbo como poética e como "remendo" mais alguns dias, anos adiados....Belo poema. Abraço