Janeiro 13, 2012

À Semelhança dos Pássaros

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«Es usted embajador de dónde?»


acesa a pedra brilhante quase céu
no lume desajeitado, no seixo
que da palma do corpo
se fez voo, asa urgente

e o que antes era corpo interdito
fátuo campo do dia, a margem fóssil
a infértil imitação da casa
em cinzas, do fogo redundante

solta-se no ar, este embaixador vagabundo
que do lenho, do fundo do verso
da mesa dos homens, soube desenhar
os braços do rio que cobre o mundo,
e à semelhança do poeta pássaro

que passeando ligeiro pelo rés do chão,
pela incerta casa suspensa
onde se guardam os pontos cardeais,
abre os braços em forma de vela
e de quatro ou cinco versos faz uma estrela
menor,

acesa na pedra brilhante quase céu, dizem,
na casa modesta, na embaixada em obras
daquele que sabe compor o verbo infinito.


Janeiro 13, 2012

[breve aparte: «Es usted embajador de dónde?», perguntaram a Cesariny, escreveu certa vez Manuel Hermínio Monteiro]

[imagem: reprodução de (?), Pat Steir]
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10 comentários, postais, notas ou impressões:

Pedro Du Bois disse...

"...compor o verbo infinito". Gosto muito de trabalhar essa "semelhança" aos pássaros que você, aqui, aborda com toda a propriedade. Parabéns. Abraços, Pedro.

Tania regina Contreiras disse...

"...acesa na pedra brilhante quase céu, dizem,
na casa modesta, na embaixada em obras
daquele que sabe compor o verbo infinito...."

Amigo querido, eu não te leio, sobrevoo as paisagens singulares de tua alma...Eu voo!

Beijos,

Luciana Santa Rita disse...

A leitura foi um voo no infinito! É preciso estar disposto a ver sobre outra dimensão. Clichê básico, mas é para os fortes!

Lu

MOISÉS POETA disse...

Denso poema , extraído de uma profunda sensibilidade .

Um abraço,Poeta !

OceanoAzul.Sonhos disse...

o verbo infinito que se faz livre na palavra que o conduz.

Magnifico como sempre Leonardo.
abraço
cvb

Artes e escritas disse...

Certas horas as asas são precisas para seguir por sobre o rio. Grata pela visita ao blogue. Um abraço, Yayá.

. intemporal . disse...

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. fulgente e quase profética . a palavra . sempre universo .

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dade amorim disse...

Sem as asas da poesia, não há como sobrevoar os mares desta vida.

Beijo, Leo.

Tatiane Trajano disse...

Um voo perfeitamente poético!

Andrea de Godoy Neto disse...

amigo querido,
tua poesia me dá vontade de chorar...aquela vontade que temos quando estamos diante do belo que nos toca tão profundamente, que tudo o que podemos é entregar-lhe a nossa mais pura emoção...

um imenso, imenso, abraço!

p.s: eu sou tão feliz por navegar nesta barca, que sempre me põe a caminho de casa...