Janeiro 17, 2012

Reclama o corpo ausência

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I

já o risco é transparente,
e como tal, reclama
os vagos mares salgados,
[dois ou três por cada corpo dormente]
onde feitos nuvem
de bandos de pássaros sépia
em abstracto céu azulado
só rasgo, rasto dum voo decente,
desengonçado, ou até mesmo fútil
[e que assim seja!]
no risco imaginário do astro fóssil
guardado nas sete chaves do peito
já risco do risco de cá de dentro e


II

fosse seixo, extensa a raiz ao céu, e

tanto infinito até podia ser absurdo,
tantas distâncias, ponto por ponto, quase ausências,
foram
e no entanto, o que existe e aproxima
parece pronúncia da imensidão, um país
chamado chão.


Dezembro 7, 2011

[imagem: reprodução duma foto minha, de 2008]
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7 comentários, postais, notas ou impressões:

marlene edir severino disse...

Ausência que de constante,
fica abstrato corpo, tão presente.
Imensa. Confunde-se com as nuvens, mistura-se aos tons do céu, vira estrela, mar, risco no horizonte.
Infinito.
Nem ausência é mais.

A imagem é linda, etérea, do jeito que gosto e fiquei aqui matutando: é uma pintura do Leonardo?

Abraço "imenso" daqui!

Marlene

Vanessa Souza Moraes disse...

Tanto infinito causa vertigem :)

Joelma B. disse...

a poesia preenche tão bem as ausências...

Beijinho com admiração!

Mar Arável disse...

Quando se voa não há ausências

lidia-la escriba-www.deloquenosehabla.blogspot.com disse...

BELLECIMO! AMIGO!
UN ABRAZO ENORME
LIDIA-LA ESCRIBA-AUTORA





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Bípede Falante disse...

Gosto tanto de nuvens no céu, mas reconheço o enorme valor da sombra que trazem para o nosso chão.
Os seus poemas me emocionam tanto. Me melancolizam em um bom sentido.
beijoss :)

MIRZE disse...

Belo, Leonardo!

A ausência é quase sempre a forma mais perfeita da presença sem forma, em sépia, out of Chronos.

O infinito se faz presente porque não o alcançamos. Será?


Beijos

Mirze