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O que faríamos com um toco de lápis
um pouco pedaço de giz adentro dessa escuridão
quantos,
quantos dos poucos de nós que com concisa
exactidão
poderiam dizer
eu sei?
e todavia,
o que sabemos do quanto do pó se arruma no contorno dos astros
o quanto do espaço coincide em duas iguais partes
e na pele a ruga, o corpo que adivinhamos
onde no coração do livro,
onde se aninha o azul sangue da letra
negro vivo, a matéria que cadente se alinha
na devoluta imensidão do céu,
no verso
que não sei,
nem sei o que faríamos deste chão
primeiro canto, maré ou passo
o que deste corpo sete-estrelo que não nos cabe na mão.
O que seríamos ou seremos
da árvore que se corta rente, na terra onde por giz semente
um pouco de ponto no espaço
onde acontecemos matéria e fogo, primeiro esboço da escuridão
não dizemos,
sabemos, eu sei.
Novembro 13, 2011
[imagem: reprodução de (?), Roi James]
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10 comentários, postais, notas ou impressões:
A certeza do saber é momentânea até que a nova dúvida ocupe o lugar da anterior.
Um grande bj querido amigo
Do que arde peito adentro,
que pouco se sabe
do fogo que habita,
esboço,
que toma forma,
vira palavra escrita
Sempre tão belo tudo que escreves, Leonardo!
Abraço "imenso" daqui!
E o não saber de tanto traçar estrelas, fundou a luz que indenceia a primeira que sempre é a vez.
beijo, poeta!
Leonardo!
Matéria e fogo . Primeiro esboço da escuridão que não dizemos. mas sabemos . Um ciclo que se repete constantemente, arde o peito e por isso acredito ser do fogo a primeira
matéria devoluta!
Belíssimo!
Beijo
Mirze
O verso é tão imenso que engole a vida, e mesmo duvidando que ele existe, sabemos sobre sua existência. Incoerência? Não, poesia!
Quando puder, dê uma passada no “Que letra é?” tem sempre textos novos por lá!
Ótimo trabalho e parabéns pelo blog!! Forte abraço!
pois te proponho o inverso- a escuridao virar semente. tens aqui o ingrediente- a matéria que é o fogo, chama da criaçao.
El primer esbozo de la Naturaleza
Como sempre, um belíssimo poema, Leonardo. Sua sensibilidade poética parece aumentar a passos firmes, suas imagens, metáforas do vago conhecimento, representado pela escuridão; nosso ralo saber dos detalhes da vida que nos cerca, tudo perfeitamente desenhado nos versos do seu poema.
Você é muito bom nisso, meu querido!
Um abraço!
o que se sabe do pó ou do que queimará da matéria devoluta?
o que foi do fogo ao fogo tornará. e o que retornará?
quando se lê um poema, que além de escrito com primor, leva-nos a reflexões diversas, mesmo as por vezes impensadas pelo autor, sabe-se que a poesia está cumprindo sua missão.
Grande abraço, Leonardo.
Um gosto chegar ao seu blogue.
Só o título me agradaria, mas
há muito mais.
Voltarei, sempre que possível.
Um abraço
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