Novembro 04, 2011

Inquieto Luzeiro

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Para Telma Sofia R. com amizade, a que foi, a que é e será


Somos dois tempos, um só arco inacabado
combustão e silêncio adiado
que haveremos de colher nessa rosa impossível que cresceu espinho dentro da mão.

Fomos ambos, os sinais dum fogo cadente
a semente na margem do rio, ténue caligrafia e pedra
no corpo que se reclama no contrito tempo da terra, num tronco
do espaço
[e há quem diga que todo o espaço é infinito]
contudo, recolhe-se e serena
nos dois tempos da nossa voz,
corpo em ruga de momento, onde

fomos dois tempos, antes e depois
uma só raiz, rebento inesperado, a combustão
em silêncio de astro poente, um chão,
que haveremos de colher na margem, na luz lampadária em chamas

e por remendar, ponto cardeal em nós, o clarão cruzado
bolbo da rosa impossível que bate cá dentro,
nos dois tempos do mundo, um pais desconhecido
quase linha, ténue caligrafia inacabada
o infinito, o todo o espaço, onde o luzeiro cresceu voz
o signo final.


Novembro 4, 2011

[imagem: reprodução de (?), Liu Yuanshou(?)]
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10 comentários, postais, notas ou impressões:

manuel marques disse...

O homem tem um farol: a consciência...

Abraço.

Elisabeth Candina Laka disse...

nos dois tempos do mundo, um pais desconhecido

Un abrazo

Luna Sanchez disse...

"Silêncio adiado" pode ser bênção e castigo.

Que lindo isso tudo aqui.

=*

lidia-la escriba-www.deloquenosehabla.blogspot.com disse...

Leo, querido, es impresionante este poema!!!!!una belleza exquisita!
gracias
un abrazo
lidia-la escriba

marlene edir severino disse...

Raiz subterrânea silenciosa
cresce terra adentro,
pulsa em dois tempos
sentidos,
caminhos diferentes,
infinito que cabe no peito!

Afetuoso abraço, Leonardo!

Marlene

Gaby Soncini disse...

Poesia feita de música.

Beijos!

Daniela Delias disse...

Belo, Leonardo...
Um grande beijo,
Dani

Neuzza Pinhero disse...

versos em combustão no tronco imponderável do espaço. Você,
com sua claridade e mar aberto,
você, com seu abraço
querido Leonardo.
Deixo meu email pra que vc me envie seu endereço, quero presenteá-lo com meu Pele&Osso, com muito gosto

pinheironeuza@hotmail.com
Sua visita sempre me alegra.
Peço licença pra postar seu poema na minha pg de F.B.

MIRZE disse...

Belíssimo, Leonardo!

Quando o rebento é inesperado, a combustão resulta nessa luz que você nos traz no poema!

Beijos

Mirze

LE CHEMIN DES GRANDS JARDINS disse...

Très beau texte.
Blog d'une grande qualité.
Toutes mes félicitations.

Roger