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«O meu rosto (que não vi)
Não projecta uma cara em nenhum espelho.
Nem sequer sou poeira. Sou um sonho.»
Jorge Luis Borges
Era um remendo na voz, uma sombra de nuvem
a sobra das poeiras, das cinzas que arderam em nós,
era um remendo, um traço no tempo, era o meu rosto.
Soube ser a asa tranquila, a que trouxe do corpo em escombros
do entulho que guardei por carne, cristal que não soube arder
era um dia, era nada: recordo agora, era nada
e no entanto, dentro do olhar que me guarda no que se perdeu
na placenta do dia que não ardeu, no dia que manhã se desfez
foram destinos os que ignoro, foram tantos breviários por acender
e tomo do tempo, o teu olhar, olhar que cai no mundo, o meu.
Maio 2011, 6
[texto inspirado e “lido” no trabalho de imagem Pierre Gonnord e anteriormente editado no horizonte nunca é definitivo, #12]
|imagem: reprodução de (?), Dorion Scott|
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12 comentários, postais, notas ou impressões:
Somos todos feitos aos remendos, é a vida que nos desfaz à medida que vai passando por nós!
Sempre que venho aqui, sinto a serenidade a acolher-me de braços abertos!
alguém só é o que é pela costura do que se viveu e pelos remendos do que quis se viver.
teu olhar poético adentra o espelho, meu caro.
grande abraço, Leonardo.
Um voto meu
te deixo
poeta
Regressa à asa tranquila
que já soubeste ser
Bravíssimo, Leonardo!
Poeira ou asa você é perfeito em tudo que escreve.
Não há remendo em alguém que diz:
"na placenta do dia que não ardeu, no dia que manhã se desfez"
Isto me tocou!
Belíssimo poema!
Beijos
Mirze
Lidas as linhas com que coseu este poema.
Abraço.
Teu remendo é asa...
Belíssimo!
Beijinho com admiração!
E agora fiquei a pensar se não são as nuvens as costureiras do céu??
beijosss
Leonardo,
o tomo do tempo...essa composição de sons do "t" explodem no poeTa.
tudo, o tempo todo.
São muitos ecos que a tua poesia me traz, Leonardo. Fico a pensar, agora, que fui cristal que não soube arder, fico a pensar tantas coisas quando te leio...
Beijos,
Bem te ler sempre. Teu remendo sempre a voar. Obrigada meu lindo Pássaro!
Com carinho,
Sílvia
As belas imagens inspiraram uma poesia de trieteza e encantamento.
Fez-me lembrar um poema, Leo:
"Corta, perfura, remenda...
Da emoção, nasce o poema
No caos, morre o poeta."
(fragmento de Imortal)
Um abraço,
Lou
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