agosto 11, 2010

Tarde Não Nunca

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De acordo com as rotas do Sol
E das mais ínfimas respirações do vento
Do Sul,
Alguém nasce neste momento, alguém

Da cinza da terra da raiz
Da árvore, das águas que a alimentam, nasce
Alguém neste momento,
Interminável, na doce pedra de silêncio
Nem palavras nem sons

Inesgotável sede de compor os céus
Segundo as regras dos sentidos.
(Um sorriso permanece e), do que resta

tarde não nunca



O meu ser anónimo
Desfaz-se no pó tardio da multidão. Nunca
Apenas o silêncio.


Apenas o silêncio nasce casto, ou
Assim parece. Tardia a saudade, tardia
a memória que permanece, tarde,
Assim as pedras da memória,
Como ordem da matéria,
Alguém nasce neste momento alguém, e
Do meu ser anónimo, o que resta

tarde não nunca

Ricardo S.
1992
(composição para A Criança Inacabada)

|imagem: reprodução de Dad "Selfportrait As My Father, Ron Francis|
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5 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Sinto a respiração do vento e um silêncio imaculado: belo, Leonardo, muito belo!
Abraços,

Mirze Souza disse...

Belíssimo, Leonardo!

Os silêncios únicos que nos permeiam. Nascimento e morte.

Poema de uma beleza sem igual!

Aplausos!

Mirze

Neuzza Pinhero disse...

vidamorte o ir e vir , movimento interminável
nascer dói e dói morrer, doemos todos, infinitamente.

abraço e grande afeto, Leonardo

Neuzza Pinhero disse...

a entrevista...vc disse coisas que são
muito carinho e gratidão

José Carlos Brandão disse...

Alguém, neste momento, em algum lugar do mundo, chora por mim.