agosto 04, 2010

(Parte da) Alma

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I

Alma,
Possível a consequência deste novo amanhecer, se

Colocar as minhas mãos na terra,
O sereno partilhar liquido, do feitio do céu
Como num mergulhar vago e sentido,
Flutuar na raiz.

Enxutas as nascentes serenas, estas brancas angústias
Do que trago na alma, desde o inicio de todos
Os meus mundos
Na alma, parte ínfima da manhã cinzenta dos fins do Maio,
Feito agora, fio transparente das árvores selvagens.

E se me for permitido
Quebro o rumo do infinito
Só porque te quero abraçar, de manhã alma e

II

Quebro o rumo do infinito só porque te quero abraçar
Apago no quadro de xisto as palavras que traduzem
Por sinais invisíveis, invertidos

Sob olhar atento dos deuses (essas figuras insanas)
Redijo uma carta quase aberta às estrelas e ao sol
Em diversas línguas,
Como se os sentidos fossem a pedra que nos alimenta,
Manhã alma.

E com convicção, os meus dedos cobertos de silvas
E sulcos arados nas más terras
Subo aos montes para recompor as ordens
Dos dias ditos beijos dizíveis
E na ordem das tábuas de que se diz o mundo
Apago a palavra e sinto, a manhã
A alma.

Ricardo S.
s/d [1995?]
(composição para A Criança Inacabada)

|imagem: reprodução de Mikulas Medek (?)|
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13 comentários:

Ana Paula Duarte disse...

Que post delicioso!
Pude sentir alma nele.
Parabéns pela escolha.
Abraço.

Mirze Souza disse...

Leonardo!

Quanta intensidade! Quebrar o rumo do infinito, é uma expressão forte que me prende. Acredito que a alma, esta que clamas, não ficará longe.

Um poema para ler de joelhos!

Parabéns, poeta!

Um forte abraço!

Mirze

Deia disse...

Abraçar a alma, amanhã. Mas, quem sente esse abraço na volta somos nós mesmo, posto que invólucros da alma. Abraçamos a nós mesmos e nunca um abraço sentiu-se tão sereno. Tão gigante. Um abraço do tamanho do amanhã que o meu Poeta espera... Lindo Leonardo! Um eijo, Deia.

Lara Amaral disse...

Lindo demais, meu amigo, deixo parte da minha alma aqui, ao poeta que a faz acordar.

Abraço.

continuando assim... disse...

Enxutas as nascentes serenas.........

gostei
bj
teresa

Tania regina Contreiras disse...

"...brancas angústias do que trago na alma, desde o inicio de todos os meus mundos"...Quantos mundos, heim, Leonardo? Belíssimo, ao quebrar o rumo do infinito!
Abraços,Leonardo
TÂnia

Helena Castelli disse...

Eu careço de emoções... Os poemas sempre me emocionam. São escritos raros, feito com amor.

Beijos de boa noite

Adriana Godoy disse...

Leonardo, tão bela construção...a minha alma agradece. Beijo

Mari disse...

Oi meu querido Leonardo...

Que delícia de leitura...deixa a alma leve.

Um beijo e um abraço de alma para alma!

Insana disse...

Suas palavras clama por ajuda..
a ajuda esta somente dentro do seu eu.

bjs
Insana

alice disse...

gostei muito, leonardo. um beijinho.

Lídia Borges disse...

Escreves como quem abre a terra com mãos fortes de madrugada e faz nascer o fruto que alimenta a alma.

Gostei muito.

Um beijo

Nydia disse...

Minh'alma também sente este poema como um grito. Talvez porque ela também ande assim, clamando ao infinito - embora sem haver quem me ouça - a não ser meu Deus. beijo, Leonardo.