agosto 07, 2010

Do Tempo

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O tempo
Que separa o tempo

Um plano que a mão me falha
Uma letra quase fuga, pequeno o sinal.
Há quem diga que a luz
Navega
O tempo. O plano
O absoluto, um calmo deserto
Uma gota de silêncio de árvore
Na terra, o tempo
Separa-me do que não penso
Digo ou escuto. A tua voz
Uma fuga serena. Uma ciência
Sem nome
Que acalma o meu sangue
Segundo.

Que separa do tempo
O coração de coisa nenhuma
Da minha voz
Navegável
E sem nome.

Ricardo S.
Silves, 1994
(composição para A Criança Inacabada)

|imagem: reprodução de Maleri (?), Poul Anker Bech|
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13 comentários:

serpai disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
serpai disse...

Hola Leonardo,

excelentes los versos y preciosa la imagen...

Gracias por compartir...

Saludos desde Argentina,

Sergio.

continuando assim... disse...

o tempo e o silêncio ...ciências sem nome....
gostei
bj
teresa

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Separar o coração, de coisa nenhuma.....ah, coração não tem regra nem dono!
Incrível!

Tania regina Contreiras disse...

"...o tempo separa-me do que não penso, digo ou escuto..." Quanto me diz isso, nossa!!! Ricardo S. diz coisas que ecoam profundamente em mim.
Abraços, Leonardo

susannah disse...

Que mistérios envolvem o tempo? O que separa o tempo do tempo? A poesia... átimo de um contratempo... Lindo poema! Bjs!

angela disse...

Bonito poema sobre esse misterioso tempo É nele que as coisas acontecem ou não. Difícil falar sobre ele e você o fez tão bem.
beijos

cris belier disse...

A voz, instrumento que ao emitido traz infinitos sintomas colaterais e quando esses estimulam o amor...
Faz bater forte o coração!

Lara Amaral disse...

Somos apartados do que não queremos, o que nos vêm é aquilo que tememos, mas precisamos. Quanto vem com o tempo?

Beijo.

Mirze Souza disse...

Ricardo S. O TEMPO!

Sempre pensei no tempo como ondas sequenciais. O próprio tempo se interrompe neste belo poema.
Resta-me a pausa.

Belo, Leonardo!

Um abraço!

Mirze

Marcelino disse...

Há uma comunhão interessante entyre este poema e o postado anteriormente: o silêncio e o tempo em diálogo.

Bípede Falante disse...

Leonardo, é uma coisa incrível, mas sempre que venho aqui ou há um post seu lá no Mínimo, eu sei quando é o Ricardo o autor já no segundo ou terceiro verso. A linha que o separa do Leonardo é pequena, mas há uma pulsão, uma certa carne nas palavras que somente ele tem.

Flor disse...

Querido,
adorei seus escritos ..
adorei seu blog ..
sua humildade ...
sua forma de se colocar frente ao mundo ...
que bom termos a 'grande rede' para compartilharmos uns com os outros o mistério, lindo e infinito, que somos cada um de nós ...

beijos