agosto 09, 2010

Azul, Navegar o Azul

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Tu no meu céu que arde em flor
Tu um riso incógnito igual ao meu, e
Nós, como grito rouco, erva daninha
Em céu azul,

Azul só o teu silêncio
Azul o ar e a palavra
Azul só o meu céu branco
Teu.

Tu o meu mar de riso puro, indelicado
Tu a estrela que conto devagar, no dia de que se fazem
As noites, as palavras cadentes sem fim
Os alegres silêncios que existem em mim

Azul só o teu riso e sorriso, sem
A azul tristeza em mim, sem
O azul reino que navego, em
Desalinho, o comando e ordeno,
Desajeitado o céu
Pelo mais pálido e azul silêncio
Teu.


Ricardo S.
1993
(composição para A Criança Inacabada)

|imagem: reprodução de [?], Michael Borremans|

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7 comentários:

cris belier disse...

Nossa, que lindo!
(Pausa)...
É de um azul... o mais bonito que já vi!
Inspiração sempre!

Lara Amaral disse...

Calo-me, aqui, anil.

Beijinho.

Tania regina Contreiras disse...

Nossa, Leonardo, não há nada do que tenha sido postado do Ricardo S. que não me deixe arrepiada! Gosto, gosto muito mesmo...Ah, eu não tenho palavras agora para traduzir o lugar, a dimensão onde o poema me tocou. Bravo!
Abraços,
Tânia

Mirze Souza disse...

Leonarde!

Em vozes outras, Ricardo S. cala a alma. Pelo menos assim o sinto. Este poema é maravilhosamente AZUL

Bravo!

Abraços

Mirze

Taty Cascada disse...

Bello escrito de Ricardo S. me ha conmovido su emotividad y sensibilidad.
Un abrazo Leonardo.

Bípede Falante disse...

Lindoooooooooo aos gritos!!!!!

SusanaPacheco. disse...

Azul é realmente uma bela e inspiradora cor.
Há uns anos escrevi um poema sobre essa mesma tonalidade. Gostei muito! Parabéns pelo blog ;)