agosto 06, 2010

Abertura Para Um Poema Terminável

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Caminho em silêncio entre o silêncio que escuto.
Mudo, entre as paisagens das cores que passam
Ou navegam, simplesmente. E

Anunciado o vazio,
Soletro o Universo num chão diferente
Enquanto a Lua em quarto minguante
Atormenta as últimas palavras. As últimas árvores
Serão executadas antes que a estrela matinal faça
A sua primeira aparição.

Anunciado o Universo
Caminho em silêncio entre
O silêncio que escuto e abraço, perfeito
Caminho feito composto
Pela minha espontânea presença.

Ricardo S.
[Quarteira, 1991]
(composição para A Criança Inacabada)

|imagem: reprodução de Edward Minoff (?)|
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14 comentários:

Casa de Mariah disse...

nunca me entendi com a poesia. ou eu não entendia ou ela a mim....mas a sua, confesso, me diz coisas diferentes.
muito lindas, de verdade.

Mirze Souza disse...

Belíssimo, Leonardo!

Anunciado o vazio, o poeta soletra o universo enquanto a lua míngua em quarto!!!!

A pura essência da contemplação!

Um forte abraço!

Mirze

Ale Danyluk disse...

O mar, as ondas, tuas palavras, as imagens, o tom sépio acaba sendo sempre uma armadilha para daqui não querer sair.
Achei lindo o lay out novo.
Beijo
Ale

Mar Arável disse...

A simplicidade
num texto de silêncios
partilhados

Carmen, disse...

Anunciado o universo caminho em silêncio entre o silêncio que escuto e abraço, perfeito caminho feito composto pela minha espontânea presença.'

lindo! =)

Flávia Diniz. disse...

Lindo de morrer


Beijos, coração

Lara Amaral disse...

Presença que marca
a sua, a do seu silêncio
a da sua palavra.

Beijo terno.

Hoje te publiquei no meu facebook =)

Leca disse...

Nada...como compor...
o silêncio...
repleto...
por nós mesmos...
beijos
Leca

Keli Wolinger disse...

Os sentimntos aqui compartilhados também não tem nome,cor ou formato apenas se faz pulsar no coração.
Ótimos textos dete espaço.
Obrigada pela visita ao anacronica-keli.blogspot.com e retorne quando quiser.
Abraços,

Keli

Tania regina Contreiras disse...

Há aqui dois silêncios que se cruzam, e lua que atormenta palavras... Há sempre algo um algo que, embora sentido com a profundeza da alma, é quase impossível traduzir. O que digo é que recebo ca uma de tuas palavras com uma intimidade antiga - de onde?
Belo...sempre...
Abraços

continuando assim... disse...

O silêncio que escuto e abraço.......

autêntico privilégio !
gostei
bj

Lídia Borges disse...

Transformam-nos as paisagens... Silenciámos reaprendendo, reaprendendo-nos!...

Um beijo

L.B.

Nine disse...

Lindíssimo!!!
Sabe... silencio...vazio...
essas coisas sempre me enchem de uma vaga sensação de nostalgia.
Amei o poema...
Terminável, e creio eu, reincidente...como o eterno retorno...
abraço.

manuel marques disse...

O tempo apenas destrói o que é real .

Abraço