julho 29, 2010

Uma Pedra em Desordem, Quase

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à minha “petite margueritte”


este corpo poeta e tudo
construído na fragilidade diurna do papel
arquivado enquanto castidade e folha das árvore
consumido pela eternidade, rupestre figura do tempo,
por ora
pede descanso, sonho e sono

esta alma que segue cega pela poesia das cores
não vive – inútil leviandade querer
a mais vaga das pequenas pétalas do mar
a menos possível fragmento de vento segundo o tempo

este corpo
não pede nem ouros nem tábuas de prata
não pede nem campos nem eras ou searas
de universos. não!
nada mais peço, por ora.
só preciso de ar , em grão átomo
e do sorriso que em mim guardei
enquanto inacabada criança.


Ricardo S.
Abril 1993
[composição para A Criança Inacabada]


|imagem: reprodução de The Blue Scarf, Edward Minoff|
.

11 comentários:

Juliana. disse...

Um corpo poeta que carrega
uma alma leve como o vento..
que lindas palavras Leonardo!
Um abraço
Juliana

Mar Arável disse...

Só preciso de ar

Só?

e já é tanto

Lara Amaral disse...

Quando o poeta pede recanto
é no contorno das letras
que dorme
que faz amor.

Grande abraço.

Tania regina Contreiras disse...

...pequenas pétalas do mar? Belíssimo...
Abraços,

Casa de Mariah disse...

belo lenço azul e olhos tristes.
lindo texto.

Juan Moravagine Carneiro disse...

Sempre me surpreendo com sus palavras meu caro...

abraço

Mirze Souza disse...

Sensível poema, onde corpo e alma persuadem um ballet da vida!

Leonardo, a cada dia, a cada poesia, ficamos navegando junto ao barqueiro!

Um abraço!

Mirze

Vanessa Souza Moraes disse...

- O que eu levo?
- Traga seu melhor sorriso.

Amita disse...

Poema de corpo e alma, no ensejo de ar e do sorriso da inacabada criança. Bravo, poeta!
Façamos sempre renascer a criança no interior de nós.
Um bjinho e uma flor

Úrsula Avner disse...

Oi Leonardo,

o blog é lindo e os poemas de alta qualidade literária e muita sensibilidade poética. Obrigada pelo carinho lá no Maria Clara. Grande abraço.

Úrsula

Marcelo Novaes disse...

Leonardo / Ricardo S.,


Repito o que disse acima: ausências significativas pedem por objetos [preenchimentos] significativos. Os quases e por-acabar. Por despojada que se apresenta a alma, a criança sorrirá, ao fundo e ao fim.





Abração.