julho 28, 2010

Um Silêncio Tatuado Dentro

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Só no silêncio se movem todas as coisas, finitas e infinitas.
Só assim os desígnios do meu corpo revelam o Ocaso e o Nascente,
A Terra firme e a Areia, as Nascentes, o Oceano mais profundo.

Disperso é a medida de que se faz o meu olhar único
Que só no mais profundo sulco terreno se dilui e brilha.
Dispersas as Árvores levemente tatuadas de sombras intemporais,
Sombras crescentes dos Dias, filhas recentes do longe demais,

No longe onde se equilibra a mais vazia distância,
O descobrir na minha, a tua mão de dedos desiguais.

Porém, se a Luz e a Névoa não são pertença do meu corpo dormente
É como se nada existisse. Nem Fogo, nem esta Cruz, nem o Mundo.

E se ao vazar da maré na praia mais distante, o meu ainda coração fizer sentido,
Esse limite da minha voz jacente, encontrará no silêncio o seu início e fim

Então dormitará quase perdida,
o que sobra de toda a minha memória insuficiente.


Ricardo S.
s/d [1995?]
[composição para A Criança Inacabada]


|imagem: reprodução de My Father Never got a Driving Licence II, Asa Stjerna|
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15 comentários:

Liene disse...

...

Dentro de cada um de nós está o princípio e o vazio.

Sem mais palavras senão silenciar diante desse acontecer.

Carinho sempre amigo!

Maria Eliza Marques disse...

Leonardo,
seu silêncio fez o meu, tirou o fôlego na expectativa do fim.

Gostei muito!

Beijos.

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

poema de sobras e versos cheios de imagens exatas do que se pede entre o desencanto e o amor

Mirze Souza disse...

Bravíssimo, Leonardo!

Se nem a luz, nem a névoa resolvem, a sua poesia ampara e dá alento!

Um forte abraço!

Mirze

manuel marques disse...

Podemos estrangular os clamores, mas como vingarmo-nos do silêncio?

Abraço.

Bípede Falante disse...

Vou te dizer: igual a esse Ricardo não existe ninguém!!!!!!

angela disse...

Tão sofrido esse poema, um poema de quem se viu sem o amor e sentiu a solidão do mundo.
beijos

Pluma Roja disse...

No me gusta el silencio, prefiero la palabra. La palabra aclara, el silencio mata.

Bello poema.

Saludos cordiales.

Sandrio cândido. disse...

leonardo, o silêncio é a melhor companhia para aqueles que desejam ser homens de letras, reiner maria rilker já amava a solidão e me ensinou a amar-la assim como eu amo a deus e a poesia...somente no silêncio é que mergulhamos na poesia da vida para extrair o nosso poema que verte se em poesia de palavras.

Tania regina Contreiras disse...

...se o meu ainda coração fizer sentido...

Belíssimo poema, Leonardo!
Abraços em silêncios...

Neuzza Pinhero disse...

Leonardo-de-transbordamentos-tantos

tenho andado às tontas
quase sumo, às vezes
Hoje li sua entrevista
Sou presença permanente
no seu comboio

bjs de afeto e admiração

Flávia Diniz. disse...

Lindoo!

Bom diiiiiiiiiiAAA

Luciana Klopper disse...

Q Blog lindo, amei tudo aqui, estaremos juntos..to te per seguindo!

Insana disse...

O silencio me traz tristes lembranças.

bjs
Insana

cantinho she disse...

Adoro tudo sempre, beijo, beijo Querido!