julho 18, 2010

[este texto, há dias editado no Inscrições, de Dade Amorim, junto com um outro texto meu, de imediato senti-o como diálogo e parte que não podia deixar de se apresentar, aqui, em forma de homenagem à visão do mundo e da casa, ao projecto e construção do poeta. Aguardei uns dias, efectivamente, de forma a criar uma unidade, aparentemente invisível, mas intencional conforme à minha última abordagem às Variações Vilhelm… Da Casa, e agora Habitare. Até sempre, permita o coração, Amiga Minha e Irmã de Letras]




















habitare

e tantas coisas
roçando nossas vidas sob o desgaste do teto que reflete
a luz da manhã no jardim

há quanto tempo nos protegemos de sol e chuva e dos ventos do estio
por trás das mesmas janelas de cortinas claras
que nos defendem da rua
a resguardar a sala cor de sépia

há tanto contornamos a curva das escadas
sabendo cores e penumbras e paisagens do quarto mais acima
e conversamos sobre coisas sem lugar ou utilidade
que vez ou outra esquecemos como corpos mortos numa prateleira
até que se tornem de novo uma pequena surpresa e toquem nossos lábios
com uma espécie branda de sorriso

e o que são os anos para nós
que a cada dia lemos os jornais na rede da varanda
e ainda reconhecemos os lugares das coisas
que há muito se extinguiram?


Dade Amorim
Rio de Janeiro

13 comentários:

Be Lins disse...

O postal que te envio
diz que a barca dos amantes
é um lugar apaixonante onde inspiro-me
e permito-me acreditar.

é bom vir aqui!

angela disse...

Um diálogo mesmo. Muito boa escolha. Um poema bonito. Fala com ternura desse cotidiano protegido e sepia em que o tempo some na mesmice das emoções abrandadas e protegidas, mas o amor permanece.
beijos

Rute disse...

Passando por aqui para lhe desejar um ótimo domingo e uma maravilhosa semana.
Beijinhos a vc

dade amorim disse...

Uma grande alegria navegar na Barca em sua companhia, Leonardo - o que aliás costumo fazer com frequência, e sempre sempre vale a pena.
Um enorme abraço, Poeta barqueiro, com amizade.

Marcelo Novaes disse...

Leonardo,


Que bonito este texto da Dade!

:)



Abraços!

manuel marques disse...

Para um final de domingo valeu a pena passar por aqui.

Abraço.

Marcio Nicolau disse...

Há dias venho aqui e, não sei por que razão (talvez nenhuma) teus versos simplesmente não conversam comigo. Hoje, no entanto, diferente, foram claros e disseram.

Mirze Souza disse...

Leonardo!

No "INSCRIÇÕES" e aqui, a cada vez que leio algo diferente me surpreende.

Belo demais esse poema!

Abraços

Mirze

Tania regina Contreiras disse...

Muita beleza no texto da Dade...Uma homenagem merecida.
Abraços,
Tânia

Lara Amaral disse...

Dade e Leo, uns queridos irmãos de letras.

Beijos.

Insana disse...

Assim me afogo .

bjs
Insana

Mar Arável disse...

Assim as memórias

são eternos vivos

Abraço

R.L. disse...

Lindo.
Mas tenho o medo.
Esse medo de que o tempo passe, as coisas se tornem reconhecíveis demais, e eu queira fugir, com medo desse reconhecimento.
Beijos alcollizados