abril 07, 2010

A Barca pelo Sérgio e pelo Milton

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De tempos em tempos, antes que se tome por bagagem mais teres e haveres, devem-se deixar para trás as boas partes que ela nos trouxe e desfrutámos… e depois, vamos em frente!
Há muito que deveria ter colocado o texto poético que inspirou o nome deste espaço, palavra de letras, sobretudo para os que desconhecem essa obra maior de dois músicos de ambos os lados do atlântico, que num só texto, melodia e mundo, “fabricaram” o que tomo por concepção da poesia: e se por estas bandas se fala pouco de “amor”, é só para que mais intensamente se viva!… e como este texto, A Barca dos Amantes, é para este humilde, nada mais ou nada menos que uma metáfora das grandes, que nos remete para o autêntico significado da poesia… metamorfose perfeita entre palavra e palavra de vida!

Obrigado, pelo muito que dizem e dirão, Caros Sérgio e Milton

Colmeal Velho, 7 de Abril


A Barca dos Amantes

Ah, quanto eu queria navegar
P'ra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu sei deixei de ser
Onde ao que eu vou não ia dantes

Ah, quanto eu queria conseguir
Trazer a Barca à madrugada
E desfraldar o pano branco
Na que for terra mais amada

E que em toda a parte o teu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no céu mais fundo
Possa agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo

Ah, quanto eu queria navegar
P'ra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu vi me fez vogar
De rumos meus, a cais errantes

Ah, quanto eu queria me espraiar
Fazer a trança à calmaria
Avistar terra e não saber
Se ainda o é quando for dia

E que em toda a parte o teu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no seu mais fundo
Possa agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo

Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu sei deixei de ser
Onde ao que eu vou não ia dantes

Ah, quanto eu queria me espraiar
Fazer a trança à calmaria
Avistar terra e não saber
Se ainda o é quando for dia

(Sérgio Godinho/Milton Nascimento)

|imagem: Leonardo B.trabalha no CPT, com imagens Google|

8 comentários:

Liene disse...

Leonardo,

O amor apesar de todas as dores ainda é amor. Milton soube garimpar cada letra, cada som e transformar através de uma linguagem simples a essência desse sublime sentimento.

Sempre há amor e onde houver alguém em nome desse sentimento a vida tomará um brilho especial...

"O amor bateu na porta
Eu de dentro respondi
Minha casa é aberta
Pode entrar, estou aqui"

Vida - Milton Nascimento

Um grande abraço...

Germano Xavier disse...

Bom saber das origens desta casa, amigo.
Também o Milton em mim faz estragos bons.

Continuemos...

manuel marques disse...

Um timoneiro que se preze continua a navegar mesmo com a vela despedaçada ...

Abraço.

Taty Cascada disse...

Milton Nascimento, es un compositor maravilloso, intenso y sensible.
Un abrazo Leonardo.

Danilo de Abreu Lima disse...

eonardo,
sou mineiro, com milton, e ouço suas músicas desde os anos 70- cantor afinadissimo, músico excelente, voz de anjo- e o amor, ah, o amor, sempre no ar, apresar de tanta voz em contrário.
parabéns pelo blog- muito bonito
danilao.

Eliana Mora [El] disse...

uma bela canção, a poesia do querer, do navegar 'é' sim, preciso, do desejo, sempre

bela postagem

beijo,
El

Adriana Godoy disse...

Leonardo B, pois é, eu como mineira me sinto gratificada de ver Milton em suas páginas. A Barca dos Amantes continua distribuindo belos poemas para os corações apaixonadosou não.
Parabéns por todo seu trabalho.

Beijo

marlene edir severino disse...

"Antes de ser feito com o corpo, o amor é feito com as palavras." diz Rubem Alves.

Que continue a barca a singrar os mares!

Abraço carinhoso deste lado do mar, Leonardo!

Marlene