dezembro 11, 2009

Na Cabeça Tenho Pincéis no Lugar dos Cabelos

















Não adormeças, sobre a tela

Mário, que há mais vida lá fora
Para compor.
Retratos dos simples, retratos
Dos barões, porque não?
A vida, qualquer das formas, é em vão!

Por mais místico seja este chão,
Que já deu uvas quase de ouro,
Em talha de prata de ladrão,
Aqui se adormece sobre a história
Do mais longínquo antepassado,
Do mais hediondo intrujão.

Não adormeças sobre a tela,
Foge! Ruma ao Reno,
Foge pelos jardins do Prado,
Apoquenta-te com coisa pouca,
Que muita, torna-se pequena.
Vai, foge, porque não?
Aqui o rio cheira a esgoto,
Aqui o veneno que se cospe até vale a pena,
A alma, a alma é de imenso pequena,
E morrer até custa,
Mas mais pelo preço do caixão.

Vai, Mário, mais além,
Mais valor terá de ti
Terá a tua gente,
Quanto mais longe estiveres, daqui.
Vai, é para teu bem!
[diz alguém ao ouvido, serenamente
De quem algum dia quis ser gente
Mas não foi.]

Não adormeças sobre a tela,
Eloy, teus tragos desejos;
“Terás na cabeça pincéis,
No lugar de cabelos”
E nas mãos desvelos,
Verbos conjugados em cor,
Novos limbos de tão velhos
- Mas nunca natureza morta!
E então? Não é a vida, o vão
E tudo o mais, quase secreto
Intimo torpor inquieto,
Mas a vida breve? Não!

Há qualquer coisa de antigo
Mário, que não vai adormecer
- Vais ver! A mão não se demora
A quem não adormece, antes da Brisa
Sol éter e mar em flor,
Antes da vida se compor.
Mas há um senão:
A vida, qualquer das formas, até é em vão!

Bizarril, 11 de Dezembro

|imagem: Reprodução de Auto Retrato, Mário Eloy|

11 comentários:

Mar Arável disse...

Da vida nem a sombra

foge

angela disse...

Lindo poema.
angustiado
desiludido
mas lindo

Reflexo d Alma disse...

Puxa.. sinto
um que de alerta,
de possibilidade...
Quando alguèm ainda balbucia
é sinal que ainda ha alguma atenção
e quem sabe um "que" daquilo
chamado
Esperança.
Bela associação.
Aguardo vocè la no meu blog.
Bjins entre sonhos e delírios

Essência e Palavras disse...

Lindo poema!! Belissimo.

E quem não tem pinceis, por onde a fantasia passa, coage o nosso intimo.

adorei!

beejo

Laís D'Ponte disse...

Tens palavras muito belas...

Seus poemas são de grande beleza...

Gosto daqui!! =)

Beijão!

Lara Amaral disse...

Meu caro, tenho agora cabelos em forma de pincéis a coçar minhas costas. Sinto um ligeiro arrepio e até cócegas. Ler-te me causa isso: emoção, desvario.

Beijos e obrigada por ter me enviado o poema.
=)

Marco A. disse...

Em forma de belo poema, uma bela tela avisto; cujos pinceís talvez observem cores que já impregnam a emoção.

Abraços Marco

Helena Rocha disse...

adorei seu espaço e to t seguindo e fika aki o konvite pra me seguir di volta fiko mt feliz se issu asontecer.
bjússssssss milllllllll adoreiiiiiii aki

Valéria disse...

Que belo poema, se meus cabelos fossem pincéis pintariam algo bem psicodélico, tamanha a rebeldia dos meus cachos...adorei!

tereza ferraz disse...

Belo poema,
morte vida...vai e fica.
E fica em cada um que lê - sente a brisa.
forte abraço.
Um belo domingo

Kanauã Kaluanã disse...

Mãos do poeta sujas de tinta, diluída água-nanquim, a caneta-pincel.

E o poema é um quadro onde as palavras aquarelaram o papel.
.
.
.

Beijos.

Katyuscia.