outubro 30, 2009

Da vida, meu frágil exílio perpétuo

















Estaba en la penumbra y tú me has hecho
luz. No era más que un árbol sin abril,
abrojo en campo estéril, y tu nombre,
Amor, me ha dado el agua y las acequias,
ha vestido de arriates mi destierro.

Acequias, de Francisco José Martínez Morán



Tão frágeis os contornos do mundo
Tão suave a neblina que o encerra –
Hábeis as mãos que o souberam
Contornar,
Do magma intemporal moldar
Um sopro, um sono, somente um
Pedaço de ínfimo enigma.

Tão breve o corpo que se anima,
Actor incerto no teatro das rotações do mundo,
Pele, espírito, osso
Movidos pelo sopro descontinuo
De quem
Das suas sete terras e seus sete mares
Tomou o barro frágil da eternidade
E qual palavra em movimento perpétuo

[tão frágil a intemporalidade que]
Tomou da forma
Finita, e ínfima
A eternidade da minha, tua
Presença
Inscrita no tempo –
Breve o cálice de vida;
Tomai e bebei!

Tão discreto o momento
Que respirando do mundo os seus contornos,
Aspiramos dos tempos que mais longe
Longínquos, uma ínfima parcela –
Se escondem.

Vivamos discretamente este molde
Contorno, o sopro de vida
Sul e norte de todas as fragilidades
Que se conserva na hábil mão
Que tanto nos guia, que tanto nos desorienta
Na nossa fragilidade
Do elemento. Único
E tão pouco perpétuo.

Tão provisório, o momento meu.


Castelo Rodrigo, 30 de Outubro


|enquanto olhava para as pedras, que ladeiam as estradas, esses estéreis caminhos de vida, pensava na sua força… a pedra tão imóvel, tão eterna! - Se a nossa vida é propriedade do eterno, então os momentos “que respiramos”, são apenas uma intima fracção… que assim seja!|

|Fotograma de As Asas do Desejo, Wim Wenders|

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